Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Os chatos insuportáveis!

Há muitas variações para o termo chato. Tem o chatinho, o chato e o chato insuportável! Em uma ocasião anterior, escrevi sobre os dois primeiros itens. Numa deferência especial aos indivíduos absolutamente sem “simancol”, volto hoje ao assunto, tecendo um rápido comentário sobre cidadão que ninguém agüenta: poderíamos dizer “cientificamente” que se trata do terceiro elemento relacionado, o genuíno “Pthirus púbis”, o chato responsável pela pediculose e que se alimenta exclusivamente de sangue escrotal. Incrivelmente, somente os humanos têm esse hospedeiro. Lá mesmo onde você pensou! Rsrsrs... Costumam provocar irritação, muita coceira e se proliferam rapidamente. Por uma analogia do destino, esses indivíduos são conhecidos como verdadeiras “cascas de feridas”. Na verdade, os “chatos de galochas” toda a cidade conhece! São tipos que não mudam. Não crescem! Até existe uma história para explicar isso. Galochas eram sapatos de borracha usados sobre “os outros” para protegê-los da umidade. Pois bem: esse tipo de “pisante” foi introduzido na vida brasileira em meados dos anos 50, quando as ruas de cidades do interior do Estado de São Paulo ainda não eram calçadas. Naquela época, sempre tinha um chato que ia visitar as pessoas em dia de chuva e não tirava as galochas cheias de barro, sujando a casa do anfitrião. Daí a origem da expressão! 

Mas, não tem acordo: chato insuportável você encontra em todos os lugares. Eles se multiplicam de forma a causar inveja até aos coelhos. Eles estão na televisão e em muitos meios de comunicação! Estão no bar da esquina, na empresa em que trabalhamos, na internet, nas escolas e universidades, nas câmaras municipais, até nas igrejas e pasmem leitores: de certo modo aparece até nas Escrituras. Veja lá a parábola do “amigo importuno”, na qual alguém vai ao vizinho de madrugada emprestar três pães. Respeitosamente, é óbvio que o sentido é bem outro, porém, quem fizer literalmente isso hoje em dia, além de ser considerado um “chato” ainda pode ser preso. Constata-se, assim, como os tempos mudaram... 

O chato intolerável é de lascar! No campo político, numa eleição ele apóia “x”. Na outra “y”. Quando um amigo corrupto rouba alguns milhões, o chato, já velho, aparece na maior cara-de-pau na televisão para fazer a sua defesa. Chato idoso e político ninguém suporta! São elementos que causam repugnância da sociedade porque a idade que lhes é peculiar, naturalmente está associada ao bom caráter, à moral e à lisura. E não é isso que vemos nestas ocasiões! Você se lembra de quantas raposas velhas e chatas se puseram como muralhas em volta do ex-ministro Antonio Palocci tentando justificar o seu “inesperado” enriquecimento? Pois é... 

Para os que ainda não se localizaram, o chato a que eu estou me referindo hoje é aquele indivíduo que quando quer falar alguma coisa, cutuca a gente. E quando você está falando, ele interrompe toda hora. Nossa! Quando ele vem lá na esquina, a gente “corta a volta”. O cara é chato prá chuchu! Chacrilongo. Cri-Cri!!! Outro exemplo de “chatonildos”: são aquelas pessoas que quando entram nas lojas os vendedores somem. São “consumidores” que não compram nada e querem ver tudo! Geralmente, esses indivíduos gostam de freqüentar lojas de comércio de roupas e sapatos. Além de tomarem o tempo daqueles que ganham comissão, costumam chegar na hora do fechamento do estabelecimento. Não tem o mínimo de desconfiômetro! Você conhece alguém assim? 

E aquele que atende ao telefone celular e fala alto, como se a pessoa, do outro lado da linha, estivesse a 20 ou 30 metros. Eu estava em viagem outro dia e o um destes chatos atendeu ao telefone de madrugada, dentro do ônibus. O teor da conversa era mais ou menos assim: “Alô, mãe! Mãe?! Mãe, eu estou aqui em São Paulo, aqui em Assis. Vou retornar agora. Ela, que deveria ser a ex-esposa, não quer mais nada, mãe! Aquele presente, que nós mandamos lá do México ela jogou fora. Não quis que as crianças recebessem. Não chora, mãe! Eu estou voltando para casa. Calma, mãe! Mãe, fique tranqüila, tá tudo bem... Assim, mãe, eu vou desligar! Para de chorar... Passa o telefone para o papai, mãe” A conversa durou mais ou menos meia hora. Pelo episódio me lembrei daquele chato ou chata que anda pela cidade contando vantagem dos filhos. Por exemplo: determinados pais querem falar prá todo mundo que “a filha Joaquina está lá nos Estados Unidos.” E repete com insistência: “É... minha menina estava na ‘América do Norte’. Você não imagina o que aconteceu no aeroporto em Massachusetts!” Faz até biquinho pra contar a fato! Rsrsrs... As pessoas ouvem confabulando consigo mesmas que aquilo não passa de uma tolice, de alguém querendo “se mostrar”. Pura chatice... 

Para concluir: tem aquele chato que não toma remédio de jeito nenhum, mas vai todas as noites tossir no teatro. Existe aquele que fuma em lugares fechados! Tem o que conta tudo, tim tim por tim tim e ainda dá detalhes! Não posso deixar de citar: tem aquele chato insuportável que todos os domingos acorda a vizinhança com o alto volume de som ouvindo repetidas vezes Amado Batista, Genival Lacerda, Tiririca ou Bruno e Marrone. Rsrsrs... Você se lembra de alguém que faz isso?