Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Os mendigos mais miseráveis

Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas de Presidente Venceslau. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata branco e preto que atendia pelo nome de Malhado. Serapião não pedia dinheiro! Aceitava sempre um pão ou um almoço feito com sobras de comida dos mais abastados. Serapião, já idoso, perdera parte da razão, a família, os amigos e até a identidade. Não ingeria bebida alcoólica! Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa. Tudo que ganhava, dava primeiro para o Malhado que, paciente, comia e ficava a esperar por mais um pouco. Não tinha onde dormir; onde anoiteciam, lá dormiam. Perguntei-lhe: “Serapião, você tem algum desejo de vida?” “Sim!”, respondeu ele. “Tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.” Saí e comprei o lanche para o mendigo. Voltei e lhe entreguei. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Malhado e comeu o pão somente com os temperos. Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço. “Por que você deu para o Malhado logo a salsicha?”, perguntei intrigado. Ele, com a boca cheia, respondeu: “Para o melhor amigo, o melhor pedaço”. E continuou comendo, alegre e satisfeito...

A narrativa até aqui, adaptada, de autoria desconhecida, nos faz pensar sobre essa falta de contentamento que tomou conta da Nação. O desânimo, o descrédito envolvendo tudo e todos! Para muitos, até a justiça, as leis, parecem não dizer mais nada; nem mesmo para quem as aplicam. Estamos descontentes com o nosso emprego, com a escola, com o cônjuge; há até quem esteja desdenhando o próprio corpo. Estamos insatisfeitíssimos com a presidente eleita e enojados com os políticos, que embora estejam esbanjando “riqueza” são os mais miseráveis seres da atualidade, já que a maioria esmagadora deste grupo está desprovida de virtudes morais e éticas. São os mendigos espirituais mais evidentes já que não compreenderam porque estão governando. Esse quadro leva às manifestações violentas de insatisfação que tantos vemos pelas ruas agora. Também exigimos paz lá fora, mas estamos em guerra com a esposa e com os filhos em casa...  

Como solucionar tudo isso? Primeiro, admitindo como sociedade, que estamos bem doentes; sem vida espiritual! Isso é horrível. A necessidade do “obter” é o que mais importa. Queremos não somente um carro novo; melhor é o importado! TV tem que ser de LED; aquela “antiga”, de tubo, não serve mais! Tênis: só de marca! Desejamos bugigangas que, na grande maioria dos casos, tem serventia duvidosa. Nossas ansiedades, no geral, são satisfeitas apenas em grandes shoppings centers que se tornaram os templos modernos de adoração de supérfluos. Nossas igrejas! Sentimos-nos curados depois que freqüentamos tais lugares! Como nem todos podem... 

No meio desta brutal situação em que o Brasil entrou, as pessoas querem paz, mas não aceitam a solução que é obedecer aos altos céus; exigem amor, porém não querem nenhum compromisso com o filho do Criador. Os mais coerentes, ainda que também não passem de mendigos, pedintes, moradores da sarjeta espiritual, deveriam verdadeiramente exclamar: “Filho de David, tem misericórdia de mim!” Cabalmente o desprezamos. Esse é o grande perigo destes tempos! 

Num sermão outro dia, ouvi algo que merece ser recontado. É um comparativo! Você já imaginou se tratássemos a Bíblia do jeito que tratamos o nosso aparelho de telefone celular? E se déssemos uma olhada na Bíblia várias vezes ao dia? E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecêssemos em casa ou no escritório? E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos? E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela? E se déssemos Bíblias de presente? E se a usássemos efetivamente quando viajamos? Mais uma coisa: ao contrário do telefone celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela “pega” em qualquer lugar. Não é preciso se preocupar com a falta de créditos porque a conta já foi paga na Cruz. E os créditos não têm fim! E o melhor: usando a Bíblia, a ligação não cai nunca e a carga da bateria é para toda vida...