Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Por que tanto câncer nos últimos tempos?

Guarde estas frases: “Quando vai chegando a noite e a natureza desmaia, o sereno vem caindo na folha da samambaia. Eu vou na biquinha d’água e tiro suor do rosto, esperando a comidinha temperada com bom gosto! Não é o céu conforme eu aprendi, mas se Deus achar por bem, pode me deixar aqui.” Vamos iniciar de maneira leve. Os versos aqui são de uma moda sertaneja, cantada por Zé Mulato e Cassiano, uma dupla caipira de Brasília, ganhadora do prêmio Sharp como melhor CD regional do país em 98. Pois bem, nas coisas simples da vida podemos encontrar conforto a ponto de pedir ao Criador humildemente para “ficar por aqui”. Uma das razões ou motivo de “partidas” está nas doenças, entre elas o câncer. 

Há pouco mais de um mês conversava com o meu grande amigo Otávio Guimarães Lopes, o Tavico do Bradesco, como era chamado por alguns. Um diálogo de que participou outro amigo, Gérson Ramos, da Banca de Revistas da Praça Nicolino Rondó. Era uma manhã ensolarada de domingo. Debatíamos amistosamente sobre o país, a política e o futebol. Dias depois, o Tavico nos deixou. Foi um choque! E, infelizmente, tem sido assim. Jovens, adultos, idosos... Volta e meia tomamos conhecimento de alguém, acometido pela mesma enfermidade. É triste! 

O que tem provocado tantos casos na cidade? Na verdade, isso é apenas uma impressão que temos. As notícias sobre enfermos nos fazem pensar assim. Esse fenômeno tem ocorrido em todo o Brasil, sem exceção, em todos os lugares. Na capital, no interior e em outros Estados. Anualmente, são detectados cerca de um milhão de doentes, sendo que cerca de 150 mil pessoas falecem. As informações são do INCA, Instituto Nacional do Câncer. Portanto, não é somente em Venceslau. É em todos os municípios!  

E por que a dificuldade no tratamento?  O grande problema: o câncer não apresenta sintomas no seu início. A doença é confundida com um mal-estar ou pequena anomalia. O sujeito toma uma aspirina e a doença fica mascarada, às vezes, por anos a fio. Quando ocorre a detecção quase sempre já é tarde. Quero expor esse quadro com simplicidade. As causas são muitas, porém, quero registrar um exemplo. Parar morar, eu já construí duas casas na vida. Na segunda, fiquei boquiaberto, com a quantidade de produtos químicos que foram usados. Além dos tradicionais cimento e cal, utilizou-se uma quantidade enorme de pastas, argamassas, seladores, colas, tintas, solventes e outras coisas modernas de que eu nunca tinha ouvido falar. Coisas com que nós convivemos diariamente. Seria isso uma das grandes causas da doença? Ou é a alimentação?

Para fazer este texto, acompanhei um dos pacientes, amigo meu, para um dia de tratamento até a cidade de Barretos. Fomos ao Hospital Pio XII, cujo fundador foi o Dr. Paulo Prata. Cada pavilhão lá tem nomes de duplas sertanejas como Chitãozinho e Chororó, João Paulo e Daniel, etc. Há alguns anos, aqui em Venceslau mesmo, já havia acompanhado diversos enfermos da Associação Venceslauense de Combate ao Câncer, porém, nada é comparável ao que vi em Barretos. As crianças pequenas, bem alegres, carecas, nos fazem refletir sobre a importância da vida. É algo indescritível e emocionante, que mexe profundamente com o nosso interior. Não há como não chorar! Cerca de 600 pessoas, de todo Brasil, diariamente acorrem àquele lugar. É tanta gente que os nomes dos pacientes são anunciados em caixas de som. 

Conversei com alguns deles. Pessoas lá dos cafundós de outros Estados. É impressionante! Também falei com alguns familiares. Muitos doentes que estão lá não sabem da gravidade da sua moléstia. Outros estão cientes do seu estado! Comovido, ouvi de diversos deles, os tais “últimos pedidos”. Um disse que “ainda queria se casar na igreja com a companheira com quem vivia há anos”. Outro queria ainda ver um irmão que morava no Acre e era muito pobre. Um outro desejava ainda ter um cachorrinho Poodle. 

Ah... Se pudéssemos ficar por aqui...