Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Quem pode falar de improviso?

Calafrios, pernas bambas, mãos trêmulas, paralisia da memória, suor pelo rosto, cacoetes, perda da fala... Ou até pavor! Você pode ser o bambambam da oratória, porém é impossível imaginar que alguém – sincero! – não tenha pelo menos um destes sintomas em maior ou menor grau antes de usar ou durante o uso de um microfone diante de uma platéia. Na igreja, nos comícios, para uma simples leitura ou num evento qualquer que seja necessária uma exposição sobre determinado assunto ou data comemorativa, quase todos nós somos acometidos de ansiedade. Para agravar este quadro, grande parte das pessoas hoje, pelo uso constante das tecnologias, pouco se esforçam para ouvir outras pessoas com o objetivo de entender o que está sendo dito. Escutam mais com o intuito de rebater o que está sendo exposto. Não para aprender algo novo!  

Vamos imaginar uma situação: você está em uma festa, movimento ou aglomeração qualquer. Lá pelas tantas, a palavra é franqueada. Até aí tudo bem! Acontece que ninguém se apresenta para se manifestar e, de repente, seu nome é citado. Imagine-se falando de improviso. Nem mesmo onde isso parece ser a principal ferramenta de trabalho como na classe política está havendo zelo pelas palavras. Ouvimos discursos por aí que provocam dor nos ouvidos... Repare! Desde as primeiras citações bíblicas, o discurso foi e ainda é de extrema importância para a Humanidade. Grandes líderes convenceram seus súditos pela força da retórica.  

A boa oratória abre portas não só no campo pessoal, mas principalmente no profissional. Dá muito prestígio, fama e poder! A história confirma isso através do proeminente orador e político grego Demóstenes, que nasceu em 384 a.C. “Garoto ainda, Demóstenes assistiu a um julgamento no qual um orador chamado Calístrato teve um desempenho brilhante e, com sua vivacidade de espírito, mudou um veredicto que parecia selado. Demóstenes invejou a glória de Calístrato ao ver a multidão escoltá-lo e felicitá-lo. O detalhe: conta-se que Demóstenes, à força de perseverança, ultrapassou um problema de gagueira que possuía declamando poemas enquanto corria na praia contra o vento e forçando-se a falar com pedras na boca.” 

Mas, quais são aqueles que têm verdadeiramente o dom da fala em nossa comunidade? Quem pode expor idéias de improviso com grande capacidade, sobre os mais variados assuntos? É difícil apontar o melhor, porém há nomes de respeito nesta área que se forem convidados para qualquer evento são capazes de levantar a platéia com uma ou duas frases. O primeiro nome que lembro conheci frente a frente em 1974, no antigo GE, hoje Escola Santa Duarte D’Incao. Trata-se do escritor Inocêncio Erbella. Sua palestra se deu no dia 9 de julho em comemoração a Revolução Constitucionalista de 32. Os alunos vibraram durante as argumentações de Inocêncio... 

Outro cidadão de destaque nesta área: Tácito Cortes de Carvalho e Silva, o Tacinho. Já o vi em eventos políticos, esportivos e de saúde; em clubes de serviço ou em escolas da periferia. Na Academia Venceslauense de Letras, recentemente, apresentou os novos membros como se os conhecesse desde o nascimento, o que, em alguns casos literalmente era uma verdade. Também fez uma exposição sobre a vida de Maria Capitolina Santiago, a personagem Capitu de Dom Casmurro, como se a conhecesse ali da esquina. Impressionante! Recordo-me de outros nomes, também. Pela entonação de voz, pela capacidade de explicar um fato, pelo respeito na imprensa, pela coragem de seus editoriais ao longo de mais de 40 anos, o jornalista Clóvis Moré também não fica de fora desta relação. 

“Concluindo minha fala”, outro que me deixou de boca aberta durante os poucos discursos que ouvi, principalmente pela clareza e narração de muitos fatos é o escritor Raymundo Farias de Oliveira. Atrevo-me até a dizer: seu maior discurso foi feito de maneira poética e chama-se: “A figueira”. Algo criado exclusivamente para Presidente Venceslau. Maravilhoso! Profundo! Eterno! Uma declaração de amor à cidade! Sem mais palavras...