Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Sem sapeca-iaia casamento acaba

Perguntas pessoais nos deixam constrangidos e encurralados. Ninguém gosta de indagações bem particulares. Porém, quero perguntar a você leitor: o que o sexo significa no matrimônio? Muito, pouco ou nem tanto? Atualmente, principalmente com a jornada dupla da mulher, trabalhando dentro e fora de casa, a questão sexual deve ter outro entendimento. Creio que para ambos, tanto ao homem quanto a mulher, caiba a paciência de encontrar momentos para uma relação. Se há alguma discrepância exagerada por parte de alguém, talvez seja alguma falta de consideração pelo parceiro ou parceira por tudo que estejam vivendo ou passando com relação ao trabalho, ao estudo, aos cuidados com os filhos, enfim. Agora, definitivamente, o que não se pode é fazer de conta, isto é, viver como se isso não existisse e não fosse necessário. Afinal, casa-se pra quê? Qual objetivo? 

Recentemente, uma fábrica de camisinhas, após pesquisa, divulgou que a freqüência sexual do brasileiro era de duas relações por semana. Isso equivaleria, mais ou menos, a 145 vezes por ano. Seria o suficiente? A bem da verdade, são números razoáveis. No entanto, e quando isso não acontece, de jeito nenhum. Como proceder? Qual a atitude tomar? 

O jornal venceslauense A Tribuna, de 15 de setembro de 1957, trouxe um edital do Cartório do 1º Ofício bem pertinente. Embora os nomes dos envolvidos fossem publicados abertamente na época, vou manter nesta narrativa apenas a inicial, sem identificação de família! Nele é citada a ré Adenil A. G., brasileira, casada, de prendas domésticas, que por este juízo se promove aos termos de uma ação de anulação de casamento, que lhe propôs o marido, Antonio J. G., brasileiro e agricultor, morador em Presidente Epitácio. Antonio casou-se com Adenil em 29 de outubro de 1956, portanto não tinham ainda um ano de casados. Segundo o edital, desde o casamento, não obstante todos os esforços, carinhos, dedicação e demonstrações de afeto do marido, este nunca conseguiu que a sua mulher lhe permitisse o congresso sexual.

Prossegue o edital: por não ser normal esta situação, torna-se impossível a vida em comum do casal, dando motivos sobejos para ação. Nos encontramos face a um caso de impotência coendi ou equiparável - coitofobia ou vaginismo. No ato de procriação há duas ações distintas, uma humana e outra da natureza. A primeira consiste na introdução do pênis na vagina e a segunda com a fecundação e a concepção. Insiste o edital que assim exposto o fato, protesta o suplicante, Antonio, por todo o gênero de provas admitidas em direito, requer a citação da suplicada, Adenil, e ouvido o culto representante do Ministério Público, determina Vossa Excelência, a prossecução  de feito final, cumpridas as formalidades legais. 

O edital encerra esclarecendo o valor da causa em dez mil cruzeiros. Embora o casal citado seja de Presidente Epitácio, consta que a data do início da ação se deu em 15 de fevereiro de 1957, em Presidente Venceslau. Foram testemunhas da solicitação: Silas R. Ribeiro, residente na Fazenda 12 de Junho, município de Bataguassu, comarca de Rio Brilhante; Odilon V. Melo, José F. dos Santos, todos agricultores. O Juiz de Direito era do Dr. Antonio Macedo Campos. O escrevente habilitado era Nicolino Ardevino. 

A despeito de tudo que foi exposto, havendo entendimento na relação, é provável que se isso ocorresse hoje, haveria mais recursos para se evitar o fim do casamento. No entanto, esse tipo de problema persiste na nossa sociedade. Recentemente, pedidos similares de esposos descontentes ocorreram no Rio Grande Sul, na Comarca de Guaíba, e em Jacareí, São Paulo. Em ambas as cidades, houve uma polêmica enorme sobre o assunto. Assim acontece...