Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Solteirão e ainda, lá em casa

Casa, comida e roupa lavada. Água, luz e contas pagas! O tempo passa e muitos homens e mulheres, na faixa dos 25, 30, 40 anos se acomodam na casa dos pais. Esse fenômeno, que tomou conta do Brasil a partir dos anos “90”, está confirmando que nem todos hoje querem “sair da barra da saia da mamãe e nem do colinho do papai.” Os últimos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), revelam que um a cada quatro jovens adultos, com idades entre 25 e 34 anos, ainda divide o teto com os pais. Em cidades como Rio de Janeiro, 30% dos adultos com mais de 30 anos ainda não saíram do lar de seus genitores. Ao contrário do que a gente possa imaginar, 55% deles são marmanjos (!). Incrível, não?!

No Brasil, apenas 9% dos moradores vivem sozinhos em sua residência. Esse número é de 39% na França e 40% na Escandinávia. Mesmo depois de formados, muitos jovens têm optado em voltar a morar com os pais. Mas, por que esse quadro social tem-se formado? Por que essa mudança? Há várias razões para justificar essa situação. As mais prováveis talvez passem por questões econômicas e pela alteração de valores morais e éticos das famílias. Ninguém pode negar que o custo de vida é altíssimo principalmente em grandes centros. Ninguém pode negar que a forma de se educar um grupo familiar hoje carece ainda de muitos ajustes, até porque, diante de tantos direitos que se dão aos filhos, estes têm-se tornados cada vez mais “acomodados”. Cheios de “mordomias”, preferem ficar com os pais; como os especialistas falam, iguais aos felinos. Os gatos preferem um travesseiro macio... E quase sempre acordam com alguém lhes “limpando as remelas da noite”. E só existe uma pessoa capaz de fazer isso: a mãe. E mãe é mãe. Ponto final! 

Quando o sujeito fica na casa dos pais e ajuda a família, isso é bom. Porém, há também as contradições. Um amigo me contou que só saiu de casa aos 29 anos. Durante o período que viveu assim, nunca lavou um talher, nunca passou ou dobrou uma cueca, nunca arrumou sua própria cama, e dificilmente acordava antes das 11 h da manhã. Temo que o seu casamento dure pouco! Nem todas as mulheres hoje são tão serviçais, tão submissas.   

Minha filha mais nova começou os estudos superiores. Tem apenas 18 anos. Embora ainda sustentado por este que vos escreve, reside em Presidente Prudente, num apartamento. Sempre está em Venceslau nos finais de semana! Numa destas ocasiões, não trouxe o seu notebook. Ela estava aqui no seu quarto; precisava estudar e eu questionei onde ela o deixou? Onde estava o tal aparelho? Ela respondeu assim: “Esqueci lá em casa!” Rsss... Minha geração quase não teve oportunidade de estudar fora, em outra cidade.     

O certo é que o casamento, a relação a dois hoje é diferente. Os valores, outros. Com um pequeno exemplo, você entenderá o que estamos vivendo agora. Como está a nossa sociedade hoje! É um detalhe que você poderá estender para outras situações, dando praticidade a esta linha de pensamento. Por exemplo: antigamente, há uns 20 ou 30 anos atrás, quando um objeto, um eletrodoméstico quebrava, era providenciado o conserto. Agora, não!  Hoje as pessoas (principalmente as mulheres!), querem um produto novo, zerinho, na caixa, para substituir o danificado. Da mesma maneira, isso tem-se transferido para as relações afetivas. Se surge qualquer dificuldade, ainda que pouca, “um pequeno defeitinho que seja”, a desistência de uma ou de outra parte é quase instantânea. Pergunto aos leitores: quem, atualmente, gosta de comer arroz e ovo como mistura por um longo período até que a crise passe? Quem suporta abrir a geladeira e encontrar somente água para beber? É por isso que número de solteiras, solteiros e descasados só aumenta no seio das famílias. É por isso que a casa dos pais se tornou o grande abrigo do momento. A pousada dos deuses! Assim é fácil, fácil...