Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Você já esqueceu panela no fogo?

O esquecimento já é uma epidemia entre a população mais do que a dengue. As longas jornadas de trabalho, o estresse louco pela sobrevivência, o trânsito cada vez pior, o pouco tempo que temos para dormir, as notícias horrendas e chocantes do dia-a-dia, a rotina massacrante tanto dentro quanto fora de casa. Enfim! Tudo isso tem ajudado a provocar os chamados “lapsos de memória”. Tornou-se comum não nos lembrarmos mais nem dos nomes das pessoas com as quais convivemos, com as quais trabalhamos. Todas essas coisas, que parecem simples, se tornaram apavorantes quando alguém, por exemplo, esquece um filho pequeno dentro de um automóvel fechado. 

Lá pelos idos anos da minha infância, na Sumaré, mamãe colocou uma panela de pressão no fogo pela manhã e foi cuidar dos afazeres. Não deu outra! Depois de certo tempo lavando roupas, ocorreu uma forte explosão. O bairro se assustou! Uma multidão apareceu. Morávamos numa casa simples de madeira, sem forro. As telhas foram arremessadas para longe e a panela, literalmente, afundou dentro do fogão. A cozinha ficou toda melada pelo feijão e um cheiro insuportável tomou conta de tudo. Minha irmã, quase morreu de susto. Danou a gritar sem parar! Vizinhos levantaram apavorados - quase sem roupas! -, e foram nos acudir. Naquela época, bombeiro ainda não existia. Nooossa!!! Relembro aqui também um amigo que morava nas redondezas: o seu apelido era “Nenão”. Ele tinha um bar na Rua Olavo Bilac e inventou de fazer um caldinho de mocotó. Pegou uns tijolinhos e fez um fogão simples, artesanal, no fundo do quintal. Pegou uns gravetos, acendeu e pôs uma panela de pressão em cima. E, bummm! O que tinha de carne desapareceu! A água sumiu. Os ossos ficaram secos de tanto cozimento. Estão procurando a tampa da panela até hoje. Rsss...  

O que eu quero dizer com esses relatos? Esquecer já vem de longa data. Outra coisa que de vez em quando provocava tragédias: ferro elétrico. Muita gente saia para o centro da cidade e esquecia em casa, o ferro ligado. Não havia ainda as chamadas “tábuas de passar.” Tudo era feito em cima de uma mesa comum. Quer dizer: armazenavam-se as roupas bem próximas de onde elas eram passadas. O aparelho quente era posto em cima de uma lata de sardinha vazia. Mesmo assim, quem deixasse o ferro ligado certamente provocaria algum incêndio. Ah... Não havia os recipientes de água tipo spray. As roupas eram borrifadas com a boca mesmo Rsss... Hoje, para amenizar ou para evitar acidentes, os eletro-eletrônicos são fabricados com alertas ou sirenes que avisam que suas funções estão concluídas. Desligam sozinhos! Até panelas elétricas de pressão já foram inventadas. Que coisa! A grande questão é saber se a dona de casa tem capacidade de “manobrar” o produto... 

Na vida moderna também nos esquecemos de outras coisas... De senhas para acessar o Yahoo; de acionar o alarme do carro; às vezes, de alguma torneira ligada; esquecemos o celular em cima de algum balcão ou no banheiro (!); dos nossos óculos no rosto e os procuramos feito loucos, sempre xingando ou amaldiçoando alguém por isso Rsss... Tem um amigo que esqueceu R$ 100 no bolso de um paletó. Durante o sumiço do dinheiro, passou grande dificuldade. Ainda há quem se distraia e esqueça o “leite no fogo”. Rsss... Já existem vasilhas especiais para evitar isso. Na rua do cemitério, lá na Regente Feijó, eu estava caminhando certa feita e observei um carro com os vidros abaixados, chave no contato, som ligado e uma bolsa no banco de trás. Barbaridade! Um convite aos ladrões... 

Pelo esquecimento carros batem, aviões caem, barcos afundam e casamentos acabam. Neste último item, muitos são flagrados quando se rastreiam os computadores e números “estranhos” de telefones nos celulares. Assistindo ao filme polonês “A Bicicleta do Papai” ouvi algo curioso. Um idoso dizia ao outro: “Há um remédio fantástico para a memória e aptidão mental. Comprei e funciona muito bem!” O senhor que ouvia, perguntou: “Qual é o nome?” O outro disse: “Do quê?” Há há há...