Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Você já foi passado pra trás?

Uma caravana de camelos atravessava o deserto. Chegou a hora do descanso e o cameleiro  preparava-se, como habitualmente, para prender os camelos às estacas quando verificou que faltava um esteio. Não sabendo como resolver o problema, perguntou ao mestre da caravana: “Mestre falta-me uma estaca para um camelo. Como faço?” Este respondeu: “Não tenhas problema. Eles estão tão habituados a ficar presos. Se tu fingires que prende este animal com a corda, ele pensará que está preso e nem sequer tentará sair do sítio.” O cameleiro assim fez e o camelo ali ficou toda a noite. No dia seguinte quando se preparavam para partir esse camelo simplesmente recusou-se a sair do sítio, mesmo quando o cameleiro o puxava com toda a força. Sem saber que atitude tomar, dirigiu-se de novo ao mestre contando-lhe o sucedido. “Homem! Respondeu-lhe o mestre. Que fizeste ontem? Não fingiste que o ataste à estaca? Então faz o mesmo hoje. Finge que o desamarras!” O camelo, mal o cameleiro fingiu que o desatava da estaca imaginária, recomeçou a caminhada...

Tal como camelo, a humanidade gosta da mentira até porque a sua paternidade é amplamente conhecida. O fingimento é a tônica da sociedade moderna! Por vezes, preferimos a omissão, e quase sempre optamos por não aborrecer os outros ao falar a verdade e perder a relação. Como diz o cronista Walcir Carrasco, “as pessoas usam as palavras como uma espécie de verniz para amenizar situações”. Essas coisas vêm acontecendo desde os tempos da fundação do mundo quando a cobra “passou as pernas” na Eva. Ela acreditou! Mais adiante, outro personagem nos chama a atenção e nos deixa intrigados: Jacó. Ele iludiu o seu pai, Isaque, no episódio do prato de guisado na busca da primogenitura e deu um “chapéu” no irmão Esaú. Certos historiadores e teólogos tratam este acontecimento como “um ato de Deus, que usa soberanamente o ato humano mais ambíguo e o incorpora nos seus planos”. Pode ser...  

Não aprecio ser passado para trás. E acredito que ninguém possa gostar disso! Contudo, quase sempre, somos vítimas de alguma falsidade ou tombo. Em todos os setores, existem pessoas querendo levar vantagem sobre as outras. Quando você for ao supermercado, por exemplo, comprará pacotes coloridos e brilhantes, quase vazios de salgadinhos, por um preço que absolutamente não condiz com a quantidade de produto. Já outro dia, um amigo resolveu “matar” à vontade. Nas gôndolas de frios comprou um caríssimo pedaço “de quase nada” de um queijo fino e embolorado. Não deu conta de comer. O cheiro e o sabor eram insuportáveis!

Assistindo TV fiquei de queixo caído. Até as mocinhas, por vezes, perderam a noção de tudo. Num destes sábados, na hora de escolher os parceiros no programa “O melhor do Brasil”, até o apresentador Rodrigo Faro ficou meio constrangido. As mulheres desprezaram um sujeito que era gerente de uma loja de eletrodomésticos, maduro, de boa aparência, estabilizado financeiramente, solteiro, enfim... Preferiram um homem divorciado, “bombado”, tatuado, cheio de piercings e com dois filhos... Desempregado! Rsss... Dá pra entender uma coisa destas?

Hoje, há nomes gostosos para estimular e enganar a mente: carros velhos na agência são “seminovos”; festas se tornaram “baladas”; amantes viraram “namorados”, político ladrão e safado se tornou apenas “corrupto”... Por falar nisso, a melhor maneira de dar uma rasteira na população é através das propagandas. Na política, tem placas que são maiores que a obras, tem placas sem obras e tem obras que nunca acabam, mas ajudam a eleger candidatos de quatro em quatro anos consecutivamente. A honestidade nesta classe é igual perna de cobra ou retrovisor de trem!  Pode até ser que existe... Tenho minhas dúvidas! “Vamos partir pros finalmente”, ou seja, para Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016: vai ser o maior “171” da história para torrar a grana do povo! Como diria o “prefeito” Odorico Paraguaçu: “Devem ser obras da esquerda comunista, marronzista e badernenta. Estas obras entrarão para os anais e menstruais de Sucupira e do Brasil!” Espia só: vamos trabalhar como camelo para pagar essas coisas...