Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Você já teve um piti

 

Violência, excesso de trabalho, falta de tempo, pressões, trânsito, problemas com o marido ou esposa, preocupações com os filhos, pouco dinheiro, desgraças constantes na mídia, corrupção no poder, calor exagerado... Todas essas coisas provocam o que chamamos de “piti”. De certo modo, parece se tratar apenas de mais uma gíria. No entanto, no Dicionário Aurélio vê-se que a sua origem é mais erudita do que imaginamos. Piti vem da palavra “pitiatismo” que na psiquiatria quer dizer: designação dada pelo francês Joseph Babinski (1857-1932) aos distúrbios secundários da histeria, rigorosamente subordinados aos ditos primários. É suscetível de cura pela sugestão.

Esse tipo de distúrbio virou até moda. E suas conseqüências são as mais inusitadas possíveis indo de ações impensadas até o trágico assassinato de pessoas. Isso é retratado - com certo exagero, é claro! – nas artes. Quem já assistiu “Um dia de fúria”, com Michel Douglas, talvez tenha testemunhado o mais longo piti do cinema. O anti-herói, abandonado pela esposa e pela filha, sai pelas ruas eliminando quem cruza o seu caminho. Douglas reencarna as dificuldades das pessoas comuns com “burocracias” desnecessárias, descontentamentos e engarrafamentos de trânsito. Neste filme, o que dá um piti na gente é que mesmo ele lutando com os seus oponentes, sua camisa branca engomada, gravata listrada e óculos antigos de aro preto, não sofrem qualquer dano ou alteração (!). Em certo trecho, Douglas vê a cidade pelo furo da sola de seu sapato. Rsss...   

Estive em Presidente Prudente nesta semana. Por motivo de estudos, a minha filha mais nova está morando lá. Cheguei por volta das 16,30 h. Estacionei e fui comprar o bilhete da chamada “Zona Azul”. Num posto de gasolina, de esquina, o frentista gentilmente me cedeu um lugar no estacionamento da empresa. Estava na Avenida Coronel Marcondes! Em meia hora que estive ali, num cruzamento, fiquei a observar o movimento do trânsito. Presenciei quatro discussões entre motoristas com muita xingação e pitis, com dedos apontados em gestos obscenos. Atenção: até as mulheres protagonizaram esse distúrbio! Incrível... 

O desrespeito está em todos os lugares. O trânsito venceslauense também não é diferente. Por estes dias, fui sair de uma vaga de estacionamento em diagonal, de marcha-ré, e tive que parar porque estava passando um jovem num automóvel branco, tipo pick-up. Tomado por um piti, ele andou uns 100 metros, fez o contorno em outro quarteirão e voltou para me insultar. Emparelhou seu carro com o meu e gritou: “Oh, você é retardado?!” Nas profundezas da alma, fui buscar o meu sentimento de cristão. Meu silêncio de ovelha e o meu perdão pela ofensa... 

Por essa lembrança, reitero: piti aparece em tudo quanto é lugar. Nem a igreja foge a essa regra! Há pouco tempo o bispo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer, que já foi preso nos Estados Unidos, teve um piti em pleno púlpito quando inaugurava o templo do Bairro Santo Amaro, em São Paulo. “Todo cheio de si por conta da igreja nova, falou dos custos da reforma e do aluguel. Daí, pediu que todos levantassem e viessem à frente trazendo o seu envelope com dízimos e ofertas. Poucos vieram! Soltando fogo pelas ventas apostólicas então o mega bispo decretou: ‘Não quer dar? Então, tá bom. Deus não vai te dar também!’ Depois que o jogador Kaká deixou o ninho da Renascer, a crise bateu às suas portas” Rsss...

Outra coisa que dá piti na gente: Dilma. É... A presidente mesmo; aquela que exige ser chamada de presidenta! Ela pega o dinheiro dos brasileiros para construir um porto moderno em Cuba; gasta com a construção de estádios para a Copa enquanto os hospitais estão na miséria; perdoa dívidas de países africanos; está acabando com a Petrobrás; não investe o que deveria em energia elétrica e educação; não recupera as estradas federais; coloca nome de guerrilheiro em escola pública; etc... Seu governo traz uma nojenta pseudo-revolução, podre e silenciosa. Perdão, mas não tenho como trocar palavras: pra consertar essas cagadas vai mais de 100 anos!  

O que me dá piti não é a morte da oposição. É a sua venda...