Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

400 mil pés de café

Estas informações foram divulgadas no jornal A Tribuna em 4 de agosto de 1957, transcritas de uma reportagem especial, de página inteira, do jornal O Estado de São Paulo, publicada em 26 de julho de 1957. Dizia que naquele tempo a Fazenda Santa Sofia era uma célula viva e atuante no município. Lembrando que, em 1954, o produto voltou a se valorizar e a fazenda montou uma operação de recuperação nos cafezais de sua propriedade. Dos 240 mil pés velhos permaneceram apenas 80 mil. Os restantes estavam distribuídos assim: 60 mil de três anos, 70 mil de dois anos e 30 mil pés de um ano. Não é espantoso o tamanho de um cafezal assim? A gente fica a imaginar como era tudo aquilo: quantas pessoas exatamente trabalhavam ali? E como trabalhavam? Como seria colheita? E como deveriam ser lindas aquelas floradas onde os cafezais se pintavam de branco!  Como aquela moda antiga: Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal...

Na época, realizava-se também proteção do solo contra a erosão, executando curvas de nível, cordões de contorno e terraceamento. Nos cafezais antigos registraram-se até 30 mudas por cova. A moderna agronomia - daquela época - aconselhava 4 pés por cova. Os jacazinhosde 20x20 cm foram substituídos por outros de 40x40 cm. A variedade conhecida como Mundo Novo adaptou-se muito bem e as plantas apresentavam melhor aspecto. Na época que estamos retratando, o administrador da fazenda Santa Sofia era o Sr. Antonio Caiado, que via na adubação orgânica um capital de importância na cultura cafeeira. Já havia o adubo químico, mas prevalecia também o emprego de estrume de cocheiras passado por fermentação. 

Colheram-se, em 1957, mil sacas. Para 1958 havia uma projeção de colheita de 10 mil sacas de café. O jornal da capital continuava sua descrição na reportagem, dizendo que a Fazenda Santa Sofia incrementava a produção de café de qualidade para o país. Esclarecia que o derriçamento - com as mãos! - era feito sobre panos. Da lavoura o café era conduzido para o selecionador e, posteriormente, submetido à sacagem (ensacagem) em terreno de cimento. Em 1957, como já foi informado aqui, na fazenda havia 240 mil pés. Em 1958 teriam sido plantados mais ainda, pois o objetivo era chegar a 400 mil pés, pois já estavam prontas para isso cerca de 45 mil mudas. 

Pasmem os senhores leitores: naquele período cerca de 120 famílias estavam empregadas na fazenda, recebendo salários compensadores, além de apoio que a administração dava, cedendo-lhes pequenas áreas para o plantio de produtos essenciais. O jornal O Estado de São Paulo, a despeito destes elogios, afirmou também que existem propriedades nos municípios do interior que, pelas suas áreas, mais parecem feudos e nada oferecem às cidades. Possuem pastagens que se perdem de vista. Dois ou três peões para cuidar do gado, ganhando humilhantes salários e mais nada. A densidade demográfica diminui com isto e o futuro se apresenta sem qualquer probabilidade de melhora. Confirma-se o ditado popular onde o boi chega, o homem sai.

Apurei ainda que nesta fazenda havia ótimos jogadores de futebol. A Enciclopédia Digital do Oeste Paulista esclarece algo que eu desconhecia completamente: a primeira banda de Presidente Venceslau foi montada por trabalhadores de fazendas próximas. A banda foi chamada de Santa Sofia, por ser a maior fazenda da região naquela época.