Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Crime é desvendado após 5 anos

 Tenho avançado na leitura dos antigos exemplares de jornais da cidade. O periódico "A Tribuna", que circulou em Presidente Venceslau nas décadas de 50 e 60 do século XX, é um documento precioso dos acontecimentos da nossa comunidade. Confesso, sinceramente, que nunca senti tantas emoções, com profundas alegrias e tristezas, lendo um livro como o faço agora. Este calhamaço envolve as origens do nosso povo. Há algo indescritível em suas linhas. Coisas das profundezas da alma! Por quê? Porque alguns dos personagens tive o prazer de conhecer. Outros, ainda estão por aí, apesar de o tempo lhes ter tirado a vitalidade. O que eu sinto é muito mais que emoção. É isso que quero compartilhar! É como se fosse me solicitado que todas as narrativas pudessem chegar ao coração de cada venceslauense e dissessem: "O passado foi lindo, de lutas, de fracassos, de vitórias, de choros e de pelejas vencidas..."

Assim, reporto-me a um fato que recontei aqui em meados de 2014 de um crime cometido no passado que abalou profundamente a nossa comunidade e que demorou um bom tempo até que fosse elucidado. Recordo-me que, imediatamente após a publicação o jornal Integração no ano passado, recebi um telefonema do escritor Inocêncio Erbella, que se lembrava bem daquele acontecimento já que havia trabalhado como Escrivão de Polícia. Inocêncio explanou sobre as investigações que foram feitas e o trabalho para encontrar o assassino. Isso me motivou a procurar mais detalhadamente sobre o desfecho do ocorrido.  

O caso em questão referia-se a grande comoção que a cidade viveu em função do assassinato, em 30 de dezembro de 1953, de "um modesto, mas conhecido chacareiro e vendedor de verduras, o italiano Miguel Sturialli, com 33 anos, casado e que residia na periferia de Presidente Venceslau, na Vila Sumaré." A esposa de Miguel, Josefina Bezerra Sturialli, por volta das quatro horas da manhã daquele dia, percebeu que pessoas estranhas estavam no interior da casa. Acordou o marido. Também surpreso com o barulho dentro de sua residência, o esposo foi ao encalço dos ladrões que agiram rapidamente e fugiram levando do interior da residência "uma mala velha contendo documentos, a importância de 20 mil cruzeiros e outros objetos." Em perseguição aos assaltantes, o verdureiro munido de uma bengala, conseguiu alcançar um deles a uns 600 metros de sua residência, no momento em que o ladrão passava por uma cerca de arame. 

Neste local, o foragido, até então de identidade desconhecida, desferiu em Sturialli golpes de faca, cujas lesões ocasionaram sua morte imediatamente. Havia indícios, suposições de que se tratava de dois ou mais assaltantes porque a esposa da vítima ouvira mais de uma voz fora de casa, dizendo: "Corre Tião, que o homem vem aí!" No entanto, inicialmente, a suspeita do crime recaiu sobre um indivíduo de nome Antonio Caetano de Lima, o "Cearense", vizinho da vítima. Isso se deu em função de que Cearense manteve negócios com Sturialli; sabia da existência da tal mala com dinheiro e havia desaparecido após o crime. 

No dia 11 de maio de 1958, portanto, cinco anos após o misterioso crime, o jornal trouxe uma notícia de primeira página, informando que o crime havia sido finalmente desvendado. Em Paraíso do Norte, Estado do Paraná, foi preso José Augusto dos Santos, solteiro, baiano, com 39 anos, lavrador, que confessou a autoria do latrocínio. Existe uma particularidade na sua prisão que me chamou atenção: a amásia de José Augusto, por vingança, o denunciou aos policiais do Estado do Paraná após uma briga em casa. Em Paraíso do Norte ele confessou o assassinato do verdureiro italiano em Venceslau e disse mais: apontou seus irmãos, Pedro e João dos Santos, como seus auxiliares na empreitada criminosa. João também foi preso na mesma cidade e confessou que também estava no roubo. O jornal termina a notícia com estas observações: "Os criminosos beneficiaram-se da escuridão noturna para conseguirem que, durante cinco anos, permanecesse misterioso o crime que praticaram em Presidente Venceslau."