Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Do Japão ao Brasil: de moto!

 Os leitores deste cantinho sabem das minhas longas caminhadas. Gosto disso. Adoro aventuras! Semanas atrás, escrevi aqui sobre dois amigos, Michelle Francine e Roy Rudnick, que sairão de São Bento do Sul, Santa Catarina, para a segunda volta na terra de automóvel no próximo mês de agosto. Após divulgar os preparativos dessa viagem pelo jornal Integração, recebi de presente do leitor Alex Pelegrino, um livro publicado no Japão pela International Press Japan Co. A obra – “O cara da moto” - refere-se ao desafio que empreendeu o sansei paulistano Sérgio Mahoe, que veio do Japão pilotando uma motocicleta Yamaha XT 600E. Essa jornada espetacular começou no dia 02 de maio de 2002 num percurso de 44 mil quilômetros, com a duração de oito meses. Uma trilha por dentro de quase 30 países do Oriente Médio, da África e da América do Sul. 

Segundo Mahoe, a grande conquista dessa peregrinação não foi chegar ao Brasil, “mas o fato de levar uma teoria à prática”. Você teria coragem de fazer uma viagem destas? Penso que talvez seja esse o grande problema que enfrentamos na vida. A maioria das pessoas esbarra nisso! Algo que se traduz assim: “o medo de tentar!” Guardadas as devidas proporções, muitos ficam admirados com as minhas caminhadas aqui na região de Venceslau. Acham quase impossível alguém fazer isso nos dias atuais! Por incrível que pareça, inúmeros venceslauenses só aprenderam a apreciar meus escritos depois de lerem sobre esses passeios, aqui no jornal. 

Li a obra de Mahoe em apenas três dias! Quando a gente gosta da narrativa é impressionante. Sérgio, o cara da moto, passou “poucas e boas”. A saída mesmo ocorreu na Malásia, na parte continental. Houve momentos no início que, questões burocráticas, lhe causaram interrupções de quase dois meses. E ele teve que ficar aguardando, porém não desistiu! Além da linguagem atrativa, o que me chamou atenção no livro foi o lado da tradição e da cultura dos países por onde ele transitou. Na Tailândia passou por um templo diferente de Buda. Os católicos fazem o “sinal da cruz” quando passam em frente às igrejas brasileiras. Lá, eles buzinam! Era uma barulheira danada. Os menores pilotam motocicletas sem capacete! Porém, assim que entrou naquele país, Mahoe passou por um local de acidente envolvendo motoqueiros ainda “meninos”. Dois corpos franzinos estavam estirados ao lado da rodovia. Uma cena horrível. 

Na Índia Sérgio se surpreendeu com as ferrovias. Trens velhos e trilhos soltos dos dormentes; policiais são poucos e não usam armas. Acompanhou cerimônias de cremação e a dispensa de corpos no Rio Ganges, em Varanasi. Papel higiênico é difícil de ser encontrado por lá. No banheiro usa-se a “Técnica da jarra”. Para asseio, agacha-se e joga-se água com a mão direita na altura das costas e com a mão esquerda é feita a limpeza embaixo. Também é comum ver indianos se lavando da mesma maneira em poças de água de chuva ao lado das estradas. Rsss...  

Outras curiosidades que Sérgio viu: experimentou balas (doce) de nome Osama Bin Laden no Afeganistão; no Paquistão os homens não andam armados com revólveres e, sim, com metralhadoras e fuzis; no Irã, as praias separam homens e mulheres por um muro que some dentro do mar; no Líbano não há trombadinhas fazendo roubos pelas ruas (Será que lá tem lei?); na Tanzânia, África, as mulheres tomam banho pelos córregos sem roupas e sem se importar com qualquer transeunte; no Sudão, bebidas alcoólicas não existem. Há outros pontos interessantes no livro, mas o que achei mais estranho foi saber que na Etiópia o calendário é sete anos atrás do nosso. Vejam: estão ainda em 2007! Cada ano tem treze meses. O ano novo começa no dia 11 de setembro. Realmente, a confusão fica por conta do tempo, diz Mahoe. Para se ter uma idéia do que isso significa: oito horas da manhã no nosso horário são 13 h no relógio dos etíopes (!). 

Sérgio tornou-se exemplo de vontade e determinação. De busca por um ideal. Um show...