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Nossa República, não é de todos. É de alguns

Autoria: Paulo Saab

Este ano faz 40 anos que milito no jornalismo, sendo 29 deles, como já mencionei semana passada, como colunista político deste Diário do Comércio, entre outras atividades no setor. Comecei em pleno período de vigência do AI-5, do Decreto 477 que impedia atividades políticas estudantis e as eleições eram indiretas.
Já vi muito, embora ainda não de tudo e aprendo a cada dia acompanhando a vida do meu país.
Uma coisa que me acompanha desde os primeiros passos na vocação jornalística e da qual não abro mão é a capacidade de me indignar com a corrupção que grassa na vida pública nacional e que atinge, nos dias de hoje. São níveis alarmantes em virtude do estranhamento ou aparelhamento do estado pelas quadrilhas abrigadas em partidos políticos que, ligados ao poder público, sugam o que podem e como podem dos recursos extraídos da sociedade em forma de impostos, taxas, e que não se destinam à melhoria da vida da população, mas a enriquecer de forma infame pessoas eleitas pelo povo, ou mesmo nomeadas para cargos de confiança.
Chegou a tal ponto a desfaçatez que abrigados em altos cargos da República, notórios bandidos, acobertados pelo manto do mandato popular, que deveria ser sagrado, como aves de rapina, ousadamente, assaltam a dinheiro do povo, na forma de fraudes, desvios, toda sorte de falcatruas que envolvem filhos, irmãos, parentes, amigos, todos que possam servir à causa do enriquecimento criminoso.
Não vou citar nomes.
O leitor sabe a quem me refiro. Ou parte deles, porque hoje está tão disseminada a prática da corrupção em todos os níveis do poder público, em todos os poderes, que não é mais possível, mesmo não generalizando, estender a revolta contra quem rouba impunemente os cofres da Nação, por todo o território nacional.
Neste momento em você me lê, em todo o Brasil, vereadores, prefeitos, deputados estaduais, federais, governadores, secretários de estado, senadores, ministros, empreiteiros, amigos, empresários inescrupulosos, correligionários, as aves de rapina do país, estão planejando ou executando verdadeiros assaltos aos recursos de todos os brasileiros, para transformá-los em particulares, numa afronta à vida republicana como nunca se viu antes na história deste país.
A vergonha que sinto é enorme por tudo isso. Mas não me intimido nem me calo.
O Brasil está sendo roubado de todas as formas. De dentro para fora. De Dentro para dentro. De fora para dentro.
A massa da população, humilhada, sacrificada, padece na falta de recursos mínimos de sobrevivência, enquanto os governantes alardeiam conquistas e ganhos aquém até de suas mínimas obrigações. Enquanto aquartelados nos gabinetes acarpetados, desavergonhadamente, os encarregados de zelar pela coisa pública a dilapidam num festival de inescrupulosidade que ofende a cada brasileiro honesto, trabalhador.
Os mesmos que votam elegem, escolhem aqueles que virão a roubá-los. Estes ladrões, são tão acintosos, que ainda agridem no discurso, mentem sem pudor, atacam com violência e se sentem, até acredito nisso, na verdade, cumprindo seu dever de roubar porque se não o fizerem ,outros farão em seu lugar e para si.
As entranhas da República brasileira estão podres.
Os escaninhos do poder público estão corrompidos, viciados e os ratos que militam nos partidos, principalmente,corroem,roem e destroem, junto com sua roubalheira, os valores morais do país que deveriam servir de referência às novas gerações. Hoje, pelo exemplo que recebem, os jovens estão aprendendo que não é preciso estudar, que trouxas são os que não roubam que devem tomar para si, sem obediência as leis, tudo que puderem e que devem discursar bonito, mesmo falando errado,para que os pobres ignorantes que votam ,acordam as 4da manhã, se espremem nos coletivos, não conseguem atendimento e morrem nas filas dos hospitais, acreditem que melhoraram de vida.
Há uma falta brutal de gente decente na vida pública do Brasil.
Eu continuo indignado contra isso. Como há 40 anos. E, ainda sem perder a esperança, constato que tudo piorou.
A República brasileira não é de todos. É de alguns.